quarta-feira, 25 de junho de 2014

Arena Pantanal pode sofrer 'desmanche' após a Copa, ou virar um elefante branco.


Foram quatro jogos. Uma carga de 41.112 lugares disponibilizada em cada partida. Ao fim delas, um total de 158 mil torcedores passando por seus assentos. Talvez a maioria deles não volte a ver a Arena do Pantanal, em Cuiabá, da mesma forma que acompanharam nesta terça-feira, na goleada de 4 a 1 da Colômbia sobre o Japão: o estádio que custou mais de R$ 500 milhões pode ter a sua capacidade reduzida pela metade. O período de uso exclusivo do palco pela Fifa se encerra na próxima terça-feira. A partir da data, a entidade devolverá, então, as chaves e o Governo passará a tratar mais firmemente de seu futuro. Uma licitação para tentar atrair ainiciativa privada deverá ser lançada no próximo mês e a expectativa é ter o processo definido até outubro. No modelo de concessão do projeto previsto para ser disponibilizado nas próximas semanas, uma das alternativas que o futuro ‘dono' terá será a redução de tamanho da Arena Pantanal. Em vez dos atuais 43.150, ela passaria a contar com apenas 20.000 lugares. Segundo apurado, a mudança envolveria a retirada das arquibancadas superiores dos setores Sul e Norte.

Procurado pela imprensa, o secretário da Secopa (Secretaria Extraordinária da Copa) no Mato Grosso, Maurício Guimarães, confirmou a possibilidade, embora não acredite ser essa a melhor opção para o operador.

"Existe, sim. Só não acredito ser viável. A Arena tem essa concepção que torna possível reduzi-la para 20 mil pessoas, mas é preciso ponderar o seguinte: você retirou (os assentos), não consegue recolocar mais. Se já está tudo pronto e não tem um custo operacional tão grande mantê-los, sinceramente não vejo lógica. Você pode simplesmente fazer um evento com 40 mil e outro com 20 mil", afirma Guimarães.

Essa decisão, no entanto, ficará a cargo do vencedor da licitação. É motivo de temor a hipótese de a Arena Pantanal virar um ‘elefante branco'. Para se ter uma ideia, o Cuiabá Arsenal, tricampeão brasileiro de futebol americano, é dono de uma média de público maior do que a do estadual, com 3.100 pessoas. Não existe como ele conseguir bancá-la sozinho, ainda assim: são apenas três partidas por temporada. O custo operacional de um jogo no estádio é de cerca de R$ 125 mil. Reduzir o seu tamanho, sugerem dirigentes de clubes locais consultados, seria uma forma de minimizar também um eventual efeito negativo que atuar num palco dessa dimensão poderia trazer.

"Quando foi feito o projeto, houve a preocupação de que você poderia retirar (esses assentos), bastando desparafusar porque são estruturas metálicas, parafusadas uma na outra. Por isso, existe essa possibilidade", explica o secretário da Secopa no Mato Grosso, Maurício Guimarães.