terça-feira, 1 de julho de 2014

Os fatores que fizeram a Copa do Mundo dar certo em Porto Alegre

Ante as imagens de uma Porto Alegre subitamente cosmopolita, alegre e lotada de estrangeiros, é fácil dizer que a Copa gaúcha deu certo. Os porquês são vários: vão do trabalho conjunto de organizadores da prefeitura, Estado e iniciativa privada à correria de última hora. De ideias que deram certo, como o Caminho do Gol, somadas à sorte de um veranico de junho em dias de jogos e a partidas eletrizantes. Em 2010, o jornal Zero Hora levantou pontos-chave para um Mundial de sucesso na Capital. Com base neles, faz agora um balanço resumido do que foi feito para a Copa gaúcha.

Recepção aos visitantes

Foi o quesito que mostrou como uma boa ideia pode ser simples e poderosa. O Caminho do Gol, criado pela prefeitura, consistiu em bloquear uma pista da Avenida Borges de Medeiros antes dos jogos, para que torcedores fossem do Centro em direção ao Beira-Rio. Isso favoreceu a concentração deles junto ao Mercado Público, o contato com a fan fest e a ocupação do bairro Cidade Baixa para as festas pós-jogo. Houve atrações culturais, houve estações de apoio ao longo do trajeto, houve internet sem fio que nem sempre pegava, houve a Banda da Brigada Militar virando celebridade. Mas, acima disso, houve uma decisão inteligente de concentrar a festa da Copa na área central, favorecendo o contato entre gaúchos e visitantes, que ficaram assombrados com a curtição antes de partidas como Austrália x Holanda e Alemanha x Argélia.

Transporte

Duas questões aterrorizavam os organizadores em 2010: uma era ter engarrafamentos semelhantes aos da África do Sul, que obrigaram gente a abandonar carros para não perder jogos. Mesmo que só o entorno do Beira-Rio tenha as obras de trânsito concluídas, houve transtornos sérios na manhã do primeiro jogo em dia útil, Austrália x Holanda. Mudanças no esquema de trânsito deram certo: uma semana depois, a lentidão ocorreu em bem menos pontos. O outro temor era o aeroporto Salgado Filho fechado por neblina. Nem a pista, nem o terminal foram aumentados, e o sistema ILS-2 só começou a funcionar em meio à Copa. Nas duas semanas, aeroporto ficou 12h13min fechado, mas os transtornos a torcedores e seleções não foram sérios.

Economia

O governo estadual estima a passagem de 350 mil turistas pelo Estado — 160 mil deles, estrangeiros —, que teriam movimentado R$ 1,05 bilhão. Os números ainda não são finais. No comércio, o consumo dos visitantes ficou abaixo dos R$ 101 milhões esperados: R$ 90 milhões, segundo a Câmara de Dirigentes Lojistas. A razão: dias de jogos aqui e da Seleção fizeram o movimento cair. Porém, a queda é normal em épocas de Copa — havia acontecido também em 2010. Para o presidente da CDL, Gustavo Schiffino, haverá benefícios a médio prazo com a vinda de turistas.

Segurança

Há quatro anos, o então comandante-geral da Brigada Militar, João Carlos Trindade, voltava da África do Sul espantado com a gentileza dos policiais do outro lado do Atlântico:

— Era notável: eles sempre sorriam. 

Esse foi um traço da polícia na Porto Alegre da Copa: brigadianos chegavam a pedir para tirar fotos com os torcedores de fantasias mais engraçadas, de tão à vontade que estavam. Nas duas semanas, foram só 89 ocorrências com estrangeiros — a maior parte, furto ou fraudes de ingressos. As manifestações, inesperadas há quatro anos e temidas depois de junho passado, não geraram confrontos significativos, apesar de terem deixado três jornalistas feridos em 18 de junho.

Fonte: ZH