quinta-feira, 16 de junho de 2016

Jornal Pioneiro: Dirigente e ex-jogadores do Veranópolis relembram primeiro título de Tite como treinador

Em 1993, Adenor Leonardo Bachi levou o VEC para a elite do futebol gaúcho


O conhecimento aprimorado com o passar dos anos e transformado na "Titibilidade" tão reconhecida após os títulos pelo Corinthians são uma marca de Adenor Leonardo Bachi. Tite é desde o início da carreira o técnico agregador, paizão e que prioriza o diálogo. É assim desde a sua primeira conquista.


Voltamos no tempo em 23 anos. Foi em 1993, pelo Veranópolis, que o treinador garantiu o título da Segunda Divisão do Rio Grande do Sul, colocando o clube pentacolor na elite, de onde não saiu mais. Tite chegou ao VEC um ano antes, após uma temporada e meia no Guarany, de Garibaldi. Ainda trabalhou pelo clube pentacolor até 1996 e retornou por um curto período em 1998. Porém, para todos, a principal lembrança é a da conquista que levou o time à elite.
Em um campeonato que durou mais de seis meses e tinha os rivais serranos Pratense, de Nova Prata, e Pradense, de Antônio Prado, na disputa, o acesso foi garantido na penúltima rodada do quadrangular final após um empate em 1 a 1 com o Bagé, fora de casa. Na última partida, era só confirmar o título. Com casa cheia, vitória por 2 a 0 contra a Associação Trêsmaiense e festa com direito a caminhão do corpo de bombeiros na Palugana, em 3 de dezembro.
— Foi uma grande festa. Lembro até hoje do time titular daquele jogo: Dalmoro; Marciano, Bira, Eduardo e Luciano Maia; Joel Marcos, Julio César, Bilo e Joel Cavalo; Caio e Jorjão — cita o ex-zagueiro Bira, lembrando que o grupo ainda contava com o atacante Lucianinho, hoje auxiliar do técnico Gilmar Dal Pozzo.


O defensor ainda lembra de um recado de Tite que, sabendo das dificuldades do futebol gaúcho, em certa oportunidade, não queria saber de brincadeira na zaga. 
— Lembro que certa vez ele disse: a habilidade deixa para o Eduardo. Você é meu zagueiro rebatedor. Na dúvida, bico para a frente e faz os atacantes se virarem — recorda.
Para o goleiro Dalmoro, o comandante tem todos os pré-requisitos para ter sucesso na Seleção Brasileira.
— Ele é um treinador diferenciado. É um cara que sabe dialogar e entende o que pensam os jogadores. Acredito que ele formará uma Seleção vencedora — projeta Dalmoro.

As histórias de uma realidade diferente
Na Terra da Longevidade, Tite é unanimidade. Seja com os jogadores com os quais trabalhou ou dirigentes que tiveram a oportunidade de conviver com o treinador no seu início de carreira, a palavra merecimento é sempre utilizada quando se fala na chegada do caxiense á Seleção Brasileira. 
— A pessoa Tite é a mesma com a qual trabalhei em 1993. Naquela época, ele falava muito na qualidade do passe, na posse de bola. Era o paizão do grupo, com muito diálogo. Queria trazer todos para o lado dele — conta o ex-lateral esquerdo Dirceu Menegon, hoje com 44 anos.
As palavras são referendadas pelo xará Dirceu Sala, dirigente do VEC desde o início da década de 90. Com orgulho de quem acompanhou o início de Tite, ele projeta sucesso para o comandante no novo desafio:
— Ele é uma pessoa que lutou para chegar até onde está, que está colhendo os frutos do trabalho.
As condições e a estrutura são incomparáveis com a realidade vivenciada pelo treinador nos últimos anos. No começo do trabalho em Veranópolis, o técnico morava no alojamento do clube, embaixo das arquibancadas do Estádio da Palugana, atualmente renomeado como Municipal Alsemiro Guzzo . Não havia uma comissão de trabalho estabelecida em 93. 
O comandante tinha como auxiliar Donizetti, que também era o preparador físico. Porém, era o técnico quem passava todos os trabalhos. Só no ano seguinte, já na elite, que Luís Parise foi contratado para ser o preparador físico e deu início a um processo de modernização na estrutura, que sequer contava com academia.


O goleiro Dalmoro relembra uma passagem de 1993, que ficou marcada na sua carreira.
— Naquele ano, o Tite foi fazer um curso de treinador no Rio de Janeiro e voltou após uma semana. Junto, ele fez um curso com algumas bases para treinamento de goleiros. Quando voltou, me passou muitos trabalhos específicos. Tenho a honra de dizer que ele foi meu treinador de goleiros também — relembra.

Os ex-jogadores ainda recordam dos treinamentos diferentes propostos pelo comandante. Muitas vezes, os atletas precisavam subir mais de 150 degraus de uma escadaria próxima ao estádio em um trabalho físico. Porém, a principal lembrança é sempre da forma com que ele conduzia o grupo: 
— Ele era muito de conversar, de trazer a pessoa para ele, fazia o grupo acreditar, sempre teve a honestidade como princípio básico — destaca Menegon.

Matéria de: Maurício Reolon
Fotos: Acervo Joel Cavalo